DELIMITAÇÃO
A Ribalta
Companhia de Dança, residente em Ananindeua – PA, desenvolve uma linguagem de
pesquisa em dança contemporânea, fundamentada na prática da improvisação e as
inúmeras possibilidades que esta prática proporciona ao ato criativo,
encorajando seus interlocutores cênicos (intérpretes-criadores) ao auto –
conhecimento de uma teia complexa de significados reverberados em movimentos,
revelando pedaços de informações de sua vida inferindo e alterando
continuamente a realidade dos seus processos criativos. (FERREIRA, 2012, p.
124)
A Companhia de Dança
Ribalta existe há 9 anos com um trabalho na Dança Contemporânea (que tem como
personagem um homem qualquer/comum), mas especificamente na Improvisação que é
a onde esse ser criativo se torna mais visível, o “habitante” nesse sentido é
estimulado a criar, a trabalhar a expressão e a ter atitude. Alguns dos
espetáculos feitos durante esses 9 anos foram: Intervalos (2004), Liberta-me
(2005), A flor do Ser (2006), Verossimilhanças (2007), Cogitatum (2008),
Eu-tônus (2009), Remir (2010) e Metanóia (2011), Florescer (2012), todos numa
linha de dança que busca um trabalho mais natural, real e novo, na intenção que
chegue ao telespectador todo essa energia, essa verdade e esta realidade
implica neste habitante-criador.
Os habitantes
desta casa, em sua maioria crianças, adolescentes e jovens, dançam suas
realidades de um canto do mundo, e identificam-se com as artes cênicas pela
possibilidade, de que suas vozes sejam protagonistas da cena. Passam a perceber
e vivenciar formas de estar no mundo, de se posicionar, falar, sentir, agir,
enfim, de ser, forma esta que estará presente em todo o ciclo de vida,
interferindo nos mais diversos processos de ações e decisões desses habitantes.
(FERREIRA, 2012, p. 61-62)
E
esta é umas das metodologias utilizadas nas aulas da Companhia, de incentivar o
habitante a ter esta comunicação verbal e corporal, de nos permitir conhecer
suas raízes, sua localidade, sua personalidade para que assim a Companhia
conheça aquele que esta inserindo ao seu circulo de “Corpo a Corpo”, a
Companhia tem a necessidade de escuta, de sociabilização, afinal se são
habitantes são irmão que permanecem juntos de baixo do mesmo teto. Dentro deste
trabalho numa linha de Dança Contemporânea não existem tais “corpos ideias”
dentro da Companhia, existem simplesmente a afinidade, o profissionalismo e
vontade de querer ser e estar.
As
linhas imaginárias desta rede são atravessadas nas relações que os
intérpretes-criadores estabelecem por percepções de mundo, uma singular
necessidade de dança diante da contaminação de estilos diversos, maneiras de
pensar e se comportar, construir, reconstruir ou descontrair. O hibridismo
passa a ser uma característica marcante nas composições cênicas. (FERREIRA,
2012, p. 64)
Característica esta que tem uma grande
força no processo de criação de um espetáculo a mistura de pensamentos,
lógicas, corpos, apenas soma no processo da Companhia, a percepção do habitante
e do coreografo é de muita importância se tratando de uma criação, onde “O desvelar
de cada interlocutor cênico era traduzido por uma gestualidade carregada de
sentidos e sentimentos únicos, resultantes do mergulho prévio em sua própria
história.” (FERREIRA, 2011, p. 228). Assim os habitantes-criadores têm a sua
dança, a sua inquietação em quanto seu papel no mundo, numa partilha entre
laboratórios onde espaços cênicos da vida se fazem presente.
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